sexta-feira, 28 de dezembro de 2007

HÁ SAÍDA PARA A MESMICE TELEVISIVA

Carlos Lombardi, Marco Rodrigo e Roberto Talma têm um olho na América e outro na rica história de nossa teledramaturgia.

Acaba de ir ao ar o episódio piloto do seriado GUERRA & PAZ, parte da programação especial de fim de ano da Rede Globo. Escrito por Carlos Lombardi e dirigido por Marco Rodrigo, o programa pertence ao núcleo de Roberto Talma, parceiro de Lombardi em trabalhos vencedores como as novelas Perigosas Peruas e Bebê a Bordo.

Justamente por ser uma parceria que vem de longe em termos de telenovela, fiquei curioso para ver como se sairiam em um formato diferente, o do seriado. Como não sou bom de suspense, entrego fácil:

Dez, com louvor!

A diversão já começou nos créditos, ao som da maravilhosa September, do Earth, Wind and Fire, e da brincadeira com Noah, filho de Danielle Winits, que deve ser o primeiro ator intra-uterino de nossa TV. Será que rolou cachê?

A personagem de Winits (Paloma Paz) é uma escritora de romances policiais vendidos em bancas, uma série amparada no personagem Tony Tihuana, uma espécie de 007 latin lover. Ela é frustrada com a mediocridade do que faz (incluindo-se aí o pseudônimo digno da Televisa) e empresta a Tihuana todas as características heróicas e eróticas de Pedro Guerra (Marcos Pasquim), antigo amor dos tempos de colégio.

Amparado nesta boa premissa, Lombardi nos encheu de cenas repletas de ação, nonsense e comédia pura e simples. Mistura competente.

É senso comum que é dele o texto mais ágil da televisão hoje em dia. Até os críticos mais ferrenhos de seu trabalho são obrigados a admitir que de tédio um telespectador de Carlos Lombardi não morre. Mas há algo mais.

Lombardi é extremamente nostálgico.

É recorrente em sua obra esse tom grave, amargo mesmo que o passado dos personagens evoca. Críticas superficiais geralmente só enxergam o peitoral sarado do Pasquim e as demais idiossincrasias que forjam o jeito dele escrever. Mas há muito mais lava nesse vulcão do que o que escorre pelas pedras...

Um dos meus autores favoritos é Jorge Andrade, também nostálgico e amargo até a raiz dos cabelos. A diferença é que Andrade é oriundo da oligarquia cafeeira paulista e Lombardi nasceu no Pari. Quem conhece São Paulo sabe do que estou falando.

Pedro Guerra (ou Tony Tihuana) é um dos personagens lombardianos que trazem nitidamente esse toque extremamente realista. Todos nós, terráqueos indefesos nas mãos de George Bush, sabemos que a vida não é fácil. Os personagens de Lombardi também sabem disso.

Pedro é cercado de corrupção por todos os lados. Todos os colegas têm computador em suas mesas (pra jogar paciência, óbvio). Pedro escreve numa Facit velha. É um policial honesto, que cumpre o dever. Mas é abandonado pela mulher, cansada de ver os colegas do marido enriquecerem com propina, enquanto seu homem conta centavos pra pagar a luz. Ela leva a filha, de quem Pedro morre de saudades.

Isso ocorre todo dia, é uma crítica muito mais inteligente à realidade brasileira do que o que fez Manoel Carlos em sua última novela, torrando uma personagem dentro de um ônibus. Sutil como um mamute.

Lombardi aprendeu a fazer novela com gente como Cassiano Gabus Mendes e Sílvio de Abreu. O que é bonito é que, mesmo mudando de linguagem, ele não joga fora o conhecimento que essa gente boa lhe transmitiu. Manteve o ritmo e seguiu em frente.

A história caminha de modo acelerado ao ponto em que se deixa a narrativa prontinha para virar seriado. Nesse meio tempo vieram piadas ótimas, como a empregada que passa aspirador no escritório de Paloma e, por conta do barulho, acaba entrando na história que a patroa está escrevendo...

Um barato ver o traficante tomando aulas de surfe num tanque na laje. Ri bastante quando Pedro compara de modo bélico e fálico sua arma à do personagem de Rodrigo Faro. Não esperava ver Mouhamed Harfouch num papel tão diferente do Hussein, de Pé na Jaca. Mandou bem pra caramba.



A direção de Marco Rodrigo só solidificou a boa impressão que tenho de seu trabalho, seja como telespectador, seja por opinião de amigos comuns. Seguro, indo além do óbvio, serviu ao texto de maneira eficiente e limpa. Talma é macaco velho, sabe o que faz e a quem delega. Continua o mesmo craque de sempre, graças a Deus.

Algumas impressões que esse programinha noturno de quinta-feira me deixou:

1 – O lugar do texto de Lombardi na TV é mesmo na faixa das dez. O horário das sete mudou de perfil, agora têm um público heterogêneo demais, de um mau gosto intrigante.

2 – É possível fazer seriados nacionais com o mesmo pique dos americanos, mantendo a identidade e buscando os bons exemplos de formatação de roteiro que os yankees têm para nos dar. Lombardi gosta de pesquisar, é antenado. Gosta das boas séries americanas e saberia fazer algo do gênero semanalmente com um pé nas costas. Poderia fazer escola.

3 – Marcos Pasquim é um puta ator. Não é um ator puto, como alguns que passam pelo sofá dos lobos de nossa TV para darem a arrancada (e a estocada) que falta na carreira. Pedro Guerra exigiu dele um trabalho de voz, postura e gestual que não passou despercebido. O cara sabe o que faz.


4 – Roberto Talma deve ser contratado vitalício da Globo. E fazer o que quiser, sem restrições orçamentárias.




5 – Tenho tesão por mulheres grávidas.

Encerrando, tenho que dizer que é de iniciativas assim que a TV brasileira precisa. Chega de andar no certo, no já conhecido. Mesmice fede.

E antes que alguém pense que estou puxando o saco deles pra conseguir uma vaguinha na Globo, saibam que é isso mesmo...

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Vejam o clipe de SEPTEMBER aqui:
www.youtube.com/watch?v=O5iW79VQZig

Segue a letra. Se jogue no pancadão:


Do you remember the 21st night of september?
Love was changing the minds of pretenders

While chasing the clouds away

Our hearts were ringing
In the key that our souls were singing.
As we danced in the night,
Remember how the stars stole the night away

Ba de ya - say do you remember
Ba de ya - dancing in september
Ba de ya - never was a cloudy day

My thoughts are with you
Holding hands with your heart to see you
Only blue talk and love,
Remember how we knew love was here to stay

Now december found the love that we shared in september.
Only blue talk and love,
Remember the true love we share today

Ba de ya - say do you remember
Ba de ya - dancing in september
Ba de ya - never was a cloudy day

Ba de ya - say do you remember
Ba de ya - dancing in september
Ba de ya - golden dreams were shiny days
JOSÉ VITOR RACK

1 comentários:

Karina Vilela disse...

ouvi essa música na voz de uma mulher na rádio educativa de maceió, queria muito descobrir quem é. já procurei em vários lugares e não encontrei. se tiver essa informação manda pra mim.

atéee....

°Oo

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