sábado, 12 de janeiro de 2008

CABIDES COM CABELO

Há alguma coisa mais anti-feminina que modelo de passarela? Clarice Lispector dizia que modelos de passarela eram desidratadas, feitas de pó.

Não estou falando da Gisele Bündchen, que faz sucesso justamente por ter bunda e peito. Falo dessas Twiggy dos anos 2000, esquálidos cabides de cabelo comprido e pele cor de anemia profunda.

Aliás, o próprio advento dos desfiles de moda como sendo eventos hype, cobertos exaustivamente pela mídia e glamourizados ao extremo, é algo que não me parece coisa de mulher, realmente.

Toda a estética e os valores impregnados naquele show de frufrus e babados exprime o triunfo da visão gay de mundo aplicada à moda. Em sua grande maioria, os estilistas gays mostram sua coleção a jornalistas gays sentados na primeira fila que, batendo o cabelo, mandam suas matérias via Internet para redações as mais diversas. Dias depois, as revistas para as quais os jornalistas gays trabalham estarão em todos os salões de cabeleireiros gays do país onde, finalmente, as mulheres verão qual é o último grito do Fashion Rio ou do São Paulo Fashion Week.

Não se trata de nenhum tipo de preconceito, pelo amor de Deus. É apenas uma observação pertinente. E eu acho que tem de ser assim mesmo.

Imaginem estilistas hétero, em sua maioria. O teste do sofá seria prática muito mais comum do que é hoje. Só haveria shortinhos e minissaias. As modelos? Viviane Araújo, Scheila Carvalho, Juliana Paes... Até Gisele Bündchen estaria na miséria, decadente.

A primeira fila dos desfiles mais pareceria geral do Maracanã. As revistas de moda seriam tão disputadas quanto uma Playboy. Nos botecos, discussões acaloradas sobre a última coleção. As mulheres, acuadas e sem referências, só andariam de calça jeans e camiseta. Nem ao cabeleireiro iriam mais, com medo de assédio sexual entre chapinhas e laquês.

Não daria certo. É melhor deixar os gays cuidarem disso mesmo.

Afinal, onde se ganha o pão não se come a carne.
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JOSÉ VITOR RACK

4 comentários:

Neemias Martins Barboza disse...
Esta postagem foi removida pelo autor.
Neemias Martins Barboza disse...

Maravilhoso seu texto sobre as modelos!! O panorama de Gilberto Braga que vc fez tb ficou interessantissimo!!!!
Só qro te dar uma dica brow não me leve a mal!! Mas não existe a Grande maioria isso é um erro de redundança e coerência!!! O Certo é Grande parte ou a maioria!!!Não existe Grande maioria assim como tb não existe pequena maioria. Ou Grande menoria e pequena menoria!! pense nisso!!!
Mas está muito dez tdo isso!!!
Abçãum!!!

César Fernández disse...

rsrsrs

é, deixa com os gays mesmo...

Chris disse...

Parabéns pelo post e o blog!
bjos!!!

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