domingo, 13 de janeiro de 2008

FALANDO DE JORGE ANDRADE

Post originalmente publicado no blog SINOPSE INACABADA na Quarta-feira, 22 de Dezembro de 2004.



Quem era Jorge Andrade?

Um dramaturgo que não se acovardou, colocou o dedo na ferida e tratou de racismo, poluição, angústia, depressão, decadência, etc. Todos esses temas, que em uma primeira análise parecem áridos e pesados, foram os discutidos por ele em sua maravilhosa dramaturgia, que foi parar na televisão através da Rede Globo, inicialmente.

Antonio Candido, professor e intelectual, deu à Folha de São Paulo o seguinte depoimento em 1984, no dia da morte de Andrade:

"Para Jorge Andrade o teatro era uma procura da verdade. No seu caso, procura do que significava o mundo onde nasceu, de fazendeiros em crise econômica e social, sofrendo o choque do progresso urbano, sem entenderem bem o que estava acontecendo. Daí ele partiu para descrever as raízes desse mundo e procurar compreender como os seus valores tinham-se formado. Neste percurso descobriu o ângulo do oprimido, daquele cujo trabalho forma a base das prosperidades alheias. E chegou assim a uma visão dramática da iniquidade social. O seu teatro é uma curiosa mistura de nostalgia e revolta, de senso piedoso do passado e denúncia do presente, de compreensão e condenação. Um teatro de alta qualidade, que exprime com nobreza as suas perplexidades e o seu inconformismo. Pessoalmente, sinto muito a morte dele, porque éramos amigos praticamente desde que ele começou a escrever, e acompanhei de perto a construção de sua grande obra".

A televisão deu à Jorge Andrade um público do tamanho do Brasil. Um público acusado de ficar alienado em frente ao televisor, indiferente às discussões importantes da vida brasileira. Ele queria fazer da telenovela um veículo importante de conscientização e auto-análise do nosso povo. Demonstrar que o gênero não era intelectualmente inferior ao teatro ou ao cinema. Um projeto ambicioso, assim como também era ambiciosa sua obra no teatro.

Falando à revista Amiga, em 1976, Andrade definiu suas ambições com o veículo:

''Para mim, a televisão não é somente o mais importante meio de comunicação dos tempos de hoje, mas o mais extraordinário para a conscientização e educação do povo. Sendo isto, acho que um trabalho como uma novela deve conscientizar e educar e não somente divertir ou, o que é pior, alienar. Quando digo conscientizar e educar, quero dizer que ela deva escolher temas e conflitos de nossa realidade imediata e conduzi-los: ao debate, à polêmica e à contestação..."

Sua primeira incursão no mundo das telenovelas foi muitíssimo bem sucedida: Os Ossos do Barão (Rede Globo - 22 horas/1973), com direção de Régis Cardoso e Gonzaga Blota, sob supervisão de Daniel Filho. Sucesso artístico, comercial e de público. A audiência correspondeu às expectativas (em média 40 pontos). Tendo Lélia Abramo (estrela da versão teatral), Gracindo Júnior, Ruth de Souza, José Wilker, Léa Garcia, Renata Sorrah, Dina Sfat, Bibi Vogel, Sandra Bréa, Leonardo Villar, Jacyra Silva, entre muitos outros grandes atores no elenco, a novela surgiu da fusão de duas peças - A Escada (1961) e Os Ossos do Barão (1963) - adaptadas ao ritmo narrativo do tradicional folhetim televisivo, em 150 capítulos.

Na trilha sonora figuravam músicas que eram a cara daquela época, tais como Tu Nella Mia Vita - Wess & Dori Ghezzi, Love's Theme - Barry White, You Make Me Feel Brand New - The Stylistics (as duas últimas seriam reaproveitadas em Celebridade) e Me And You - Dave Mc' Lean. No meio da novela, Jorge Andrade sofreu um infarto e se afastou do trabalho durante um período, sendo substituído por Bráulio Pedroso.

Egisto Ghirotto era o imigrante italiano que fez fortuna, todavia não consegue entrar para o fechado clube da alta sociedade paulistana por conta de sua origem humilde. Já os posudos e orgulhosos senhores do café - representados na novela pelo caduco Antenor, filho do Barão de Jaraguá - que detinham títulos de nobreza e quatrocentos anos de tradição embutidos no nome, não tinham mais dinheiro algum.

Jorge Andrade fotografava em sua novela uma mudança nos valores da sociedade brasileira: fortuna e tradição não necessariamente andariam juntos. Ao mesmo tempo, nenhum dos dois protagonistas estava satisfeito com o que tinha. Quem era milionário queria ser nobre. Quem era nobre não se conformava com a falta de dinheiro. Curiosa contradição.

Ghirotto, em sua busca pela nobreza, comprou absolutamente tudo que pertenceu ao Barão de Jaraguá: as terras, os objetos, até mesmo a cripta onde repousavam os seus restos mortais, os chamados "ossos do barão" do título. Mas o título de nobreza, que era o que ele queria, não conseguiu.

Essa insatisfação com a própria realidade, essa postura hipócrita de ambos os lados formava a espinha dorsal da novela. Hipocrisia esta veementemente negada e denunciada pelas novas gerações, causando conflitos e quebra de paradigmas centenários. Antenor, em sua senilidade, vivia em um mundo nostálgico, atormentado por lembranças. Acreditava que ainda que ainda era dono das terras que herdara do pai e que todos os cafezais lá contidos ainda lhe garantiriam fortuna e posição social.

Lima Duarte foi muitíssimo bem como Ghirotto, apesar de sua escalação para o papel ter sido polêmica. Otelo Zeloni, que morreria ainda em 1973, havia defendido o papel no teatro. Portanto, muitos queriam que na televisão o papel também fosse dele. Paulo Gracindo (como Antenor) e Carmem Silva (como Melica) viveram momentos engraçados, onde toda a neurastenia de Antenor era derramada, divertindo o telespectador. Gracindo, aliás, vinha do grande sucesso que havia feito na novela imediatamente anterior, O Bem Amado (Rede Globo - 22 horas/1973).

Uma moça de família tradicional namorando um negro (Gracindo Júnior, com a pele escurecida através de maquiagem). O adultério escancarado, o anacrônico racismo de Antenor, chamando sua empregada doméstica (a grande Léa Garcia) de "negra cativa". Egisto Ghirotto, louco para ter um título de nobreza, empurrava o filho (José Wilker) para o casamento com Isabel (Dina Sfat), neta de Melica e Antenor.

Temas difíceis e pouco digeríveis pelo público de novela. Exatamente por isso, Os Ossos do Barão não poderia ser exibida em outro horário. A faixa das 22 horas na Rede Globo era ocupada por histórias mais ousadas, experimentações e mudanças de rumo na teledramaturgia tradicional, mais folhetinesca. A novela foi refeita anos depois, no SBT, sem o mesmo sucesso. No elenco estavam Ana Paula Arósio, Tarcísio Filho, Juca de Oliveira, Leonardo Villar, Cleyde Yáconis, entre outros.

Essa foi a tônica do trabalho de Jorge Andrade, também em sua passagem pela televisão: fazer o espectador pensar. Beth Néspoli, de O Estado de São Paulo, escreveu certa vez:

“Jorge Andrade pode ser comparado a Nélson Rodrigues pela dimensão de sua dramaturgia, ainda que esteja longe de despertar nos diretores brasileiros o mesmo interesse que o dramaturgo carioca”.

Uma pena, pois Andrade abordou como nenhum outro a desordenada passagem do Brasil rural para o urbano e, embora longe de fazer um teatro de tese, criou personagens inseridos na história. Personagens que não podem ser compreendidos sem levar-se em conta a um só tempo aspectos históricos, sociais e psicológicos, daí seu poder de iluminar a formação do País e, em conseqüência, nosso presente.

Estou postando um trecho de uma das mais conhecidas peças de Jorge Andrade, um de nossos maiores dramaturgos, de quem sou fã incondicional. Quem sabe, ao ler o que estou postando aí embaixo, outras pessoas se tornem admiradoras de seu trabalho e possam me ajudar a preservar a memória deste homem fantástico.
Com vocês, A MORATÓRIA.


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Moratória: dilatação de prazo concedida pelo credor ao devolver para o pagamento de uma dívida.

Conforme brilhante resumo de Célia A. N. Passoni da Editora Núcleo, comenta a professora que a peça A Moratória constitui-se em três atos, tendo o cenário dividido em dois planos. Em um, uma sala espaçosa de uma antiga e tradicional fazenda de café; em outro, uma sala modesta mobiliada onde se vê, em primeiro plano, uma máquina de costura. É através desses dois cenários que o autor consegue fazer o presente e o passado próximo. O espectador, em um mesmo instante, através da mudança de planos, entra em contato com duas realidades distintas, ligada somente pelas personagens. Para efeito do resultado, a estória será narrada linearmente.

Quim (Joaquim) é fazendeiro de café, afeiçoado a terra, mas acaba sendo levado à ruína, por maus negócios. Tem setenta anos e representa o orgulho de um nome, já sem encontrar respaldo entre os cidadãos de uma cidade que está transformada com a presença de elementos estranhos à casta tradicional. Diz Joaquim: "Não sei como, minha filha, mas de repente, senti como se estivesse só naquela cidade. Parecia que todas as portas estavam fechadas para mim. Eu não conhecia mais ninguém. Percebia que atrás das janelas todos me olhavam e... ninguém... ninguém..." Mergulhado em sua solidão, nutrido pela esperança de recuperação, só encontra amparo na família. A mulher Helena é a mais corajosa, soube enfrentar melhor a situação, e a filha Lucília tornou-se o arrimo da família, agora vivendo dos proventos de sua costura, uma vez que o irmão, Marcelo, não se adapta a nenhum emprego.

Fora da família estão Olímpio, advogado, filho do rival político de Quim, mas apaixonado Poe Lucília. Elvira, irmã de Quim, mulher rica e "caridosa" que entrega café e outras coisas que vêm da fazenda em troca das costuras "grátis" da sobrinha. Não tem filhos e vive envolvida com a assistência dada a um asilo. Nesse pequeno universo, as personagens vão sendo colocadas à mercê de um destino cruel. Quim, em torno do qual a história gira, alimenta uma esperança de retornar à fazenda, que foi à praça, para saldar as dívidas. A crise do café não permitiu a venda, a florada não foi boa; a chuva tardou, o governo não fixou um teto mínimo para o café, não há dinheiro. Só resta a esperança de poder recuperar a fazenda, a esperança de uma moratória que todos sabem não vir.

A obra de Jorge Andrade constitui um ato de reflexão sobre a realidade paulista em seus aspectos sociais, morais e psicológicos. O tema da decadência dos latifúndios cafeeiro representa o fim de toda uma classe patriarcal e semifeudal de aristocratas sucumbidos à crise econômica de 1929 e a nova ordem social imposta por Vargas em 1930. ao mesmo tempo, focaliza em seu interior o conflito de gerações, o conflito de valores tradicionais em uma sociedade que vive a rápida mudança provocada pelo êxodo rural, pelo dilatamento das cidades e pelas mudanças das elites.

Marcelo é o filho desesperançado, inadaptado, aquele que vive uma outra realidade que na a do pai, aquele que é capaz de proferir palavras rudes e no entanto, verdadeiras, apontando a terrível realidade: "O senhor finge não perceber que não fazemos mais parte de nada, que nosso mundo está irremediavelmente destruído... As regras para viver são outras, regras que não compreendemos nem aceitamos... tudo agora é diferente, tudo mudou. Só nós é que não. Estamos aqui morrendo lentamente..."

Lucília é filha solteirona que vê seu casamento com Olímpio frustrado pelo autoritarismo paterno. Não se entrega aos sonhos e às esperanças do pai, que acha poder reaver a fazenda. É ela que, com força e convicção, recupera a dignidade da família, costurando furiosamente. É ela que procura lutar pela realidade bruta, protegendo o pai contra as intempéries:

"Se a senhora (Elvira) merecesse respeito, teria tido um pouco de amor por seu irmão, piedade ao menos. Gostaria que tivesse assistido à chegada deles, quando vieram da fazenda. Só aí poderia compreender até que ponto sofreram! Com o relógio, os quadros e esse... esse galho de jabuticabeira nas mãos... pareciam duas crianças assustadas, com medo de serem repreendidas. Através de cada gesto, de cada olhar, havia um pedido de perdão, como se eu... eu pudesse censurá-los em alguma coisa. Egoísta! A senhora é uma mulher má. Papai é mesmo de boa-fé, tem bom coração, caso contrário teria posto à senhora daqui para fora. O que eles sofreram, você e tio Augusto hão de pagar."

Com simplicidade, Jorge Andrade vai chegando ao clímax da peça, a hora da revelação e, consequentemente, a hora em que Joaquim se depara com a verdade / realidade, que nós, espectadores, conhecemos desde o primeiro momento. É pujante a dor de homem e a ela estamos irmanados pela indescritível capacidade da arte de fazer o tempo / espaço identificar-se com outro espaço / tempo do espectador.

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(Joaquim volta à sala no Segundo Plano e pega o galho da jabuticabeira que havia esquecido em cima da mesa. Torna a sair, procurando não olhar nada. Depois que Joaquim sai, as luzes do Segundo Plano vão diminuindo pouco a pouco até a sala ficar escura.)


PRIMEIRO PLANO


Lucília: (Primeiro Plano) Com certeza, desencontramos
Helena: Procurei o Quim e não consegui encontrar.
Lucília: Deve estar com o Olímpio.
Helena: Fui ao empório onde ele costumava ir, à igreja, a toda parte!
Lucília: A senhora não devia andar assim.
Helena: Se ele pelo menos não fosse tão violento.
Lucília: Precisamos deixar o papai protestar à vontade, e ficar quietas. É um direito que ele tem. Não pense mais nisto.
Helena: (Aflita) Você sabe como é o pai, Lucília! Como não hei de pensar? Lucília: Não vai acontecer nada, mamãe. Acalme-se.
Helena: Ele já não tem idade para enfrentar essas coisas
Lucília: Mais uma razão para nos mantermos calmas. (Impaciente) Não podemos se descontrolar. Assim ele não sofrerá tanto.
(Volta á censura)
Helena: (Olhando os objetos em cima da mesa) Não seria melhor guardar tudo isto? Lucília: Por quê? Não foi ele mesmo quem pôs aí?
Helena: Foi, mas agora... pode ser que...
Lucília: Ele terá que ver um dia; é preferível que veja de uma vez. (Pausa)
Helena: Meu Deus! por que é que demoram tanto?!
Lucília: Mamãe! Tenha calma.
Helena: (Entregando-se ao desespero) Não agüento mais. Não agüento mais, minha filha.
Lucília: (Abraça Helena) Não se preocupe. O Olímpio saberá dar a notícia.
Helena: (Aflita) Preferia... preferia...
Lucília: O quê? Diga, mamãe.
Helena: Gostaria que o Olímpio mentisse.
Lucília: Não! Chega! Vamos enfrentar de uma vez a realidade.
Helena: Tenho medo, Lucília!
Lucília: Precisamos aceitar e não pensar mais nisto.
Helena: Uma pessoa como seu pai não vive sem esperança. E era a única coisa que lhe restava.
Lucília: (Perde a paciência) Mamãe! Não fique pensando nisto, pelo amor de Deus!
Helena: Não consigo.
Lucília: Papai é um homem forte.
Helena: Ele sempre desejou morrer no meio do campo, como o finado Martiniano, e agora...!
Lucília: Onde terá ido? A senhora foi ao ponto das jardineiras? Ele vai lá todos os dias.
Helena: Você também tem medo, minha filha?
Lucília: (Controla-se) Não. Ele gosta de ver as jardineiras que chegam e partem para as fazendas.
Helena: Ele estava lá, mas... (Pára e fica muito excitada) Lucília: (Temerosa) Que foi, mãe?
Helena: Chegaram!
Lucília: Por favor acalme-se.
Helena: Mãe de Deus, rogai por nós!
Marcelo: (Voz) sente-se papai. Vou chamar a mamãe.
Joaquim: (Voz) Não.
(Ouve-se o barulho de algumas coisas que cai no chão. Lucília fica imóvel, tesa, olhando para o corredor. Percebe-se que Helena continua rezando. Joaquim aparece no corredor, pára e fica com os olhos presos em Helena. Faz um gesto como se pedisse desculpa; há nele uma angústia inexprimível.) Lucília: (Amargurada) Papai!
Helena: Quim! (Joaquim vai até a mesa e encosta-se.)
Lucília: Sente-se papai.
Helena: Quim, meu velho! Que fizeram com você?
Lucília: (Procurando se conter) Papai! (Marcelo e Olímpio aparecem no corredor)
Helena: Sente-se, Quim. Não quer se sentar?
Joaquim: (Tentando ser violento) Por que é que todos querem que eu me sente? Helena: Por nada, nada!(Joaquim, depois de pegar um trapo na mesa, senta-se, lentamente. Pausa longa. Joaquim começa a desfiar o trapo.)
Lucília: (Avança na direção do pai) Não! Isso não! Papai! Proteste, grite, fale alguma coisa. Não fique assim! Não fique assim, pelo amor de Deus!
Helena: Lucília!
Lucília: É isso mesmo. Proteste. Proteste, papai. O senhor tem direito, nós temos esse direito. As terras são nossas, sempre foram nossas. Ninguém pode nos tomar. Papai! Ainda há esperança, daremos um jeito; é preciso que o senhor não aceite, nós não podemos aceitar.
Olímpio: (Tente segurar Lucília) Lucília!
Lucília: (Repele Olímpio) deixe-me.
Helena: Minha filha respeite o sofrimento de seu pai.
Lucília: Não! Não quero ver meu pai assim. Não quero, não quero. Deve haver um jeito.
Olímpio! Diga que há. Minta. É preciso que você minta!
Olímpio: Mentir como, Lucília?
Lucília: Não quero que meu pai fique sem esperança. Não quero. (Bate com as mãos no peito de Olímpio) Não quero! Não... (Lucília caí sentada à máquina, ainda repetindo "NÃO". Pouco a pouco, começa a soluçar.)
Joaquim: (Olha para Lucília) Eu... eu não sofro mais, não sofro mais, minha filha. Não precisa ter medo. Eu... eu... (Lucília não resiste mais e começa a soluçar fortemente. Todo seu corpo é sacudido pela explosão do desespero e ela se agarra em Olímpio. Olímpio leve-a para fora da sala. Helena caminha lentamente e vai ficar atrás da cadeira de Joaquim; põe a mão em seu ombro. Marcelo senta-se no banco.)
Joaquim: (Subitamente aflito) Helena! E as minhas jabuticabeiras? Helena: Não pense, Quim, não pense mais nisto. Não faltará chuva. Joaquim: (Pausa) Em que mês estamos?
Marcelo: Em abril.
Joaquim: Abril! (Pausa) O café está sendo arruado!

(As luzes vão abaixando lentamente)
Marcelo: Já não se ouve o canto das cigarras!
Joaquim: O feijão da seca começa a soltar vagens!
Helena: Os que plantaram... vão começar a colher!

(As vozes se transformam num murmúrio e as luzes apagam definitivamente.)
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JOSÉ VITOR RACK

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