segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

GRINGOS

Tempos atrás o Atlético Paranaense contratou o alemão Lothar Matthäus para ser técnico do time. O acordo foi rapidamente rompido por ele devido a problemas familiares e nem pudemos avaliar direito como seria uma experiência como esta.

Eu sempre achei que seria uma boa para a Seleção Brasileira ter um técnico estrangeiro.

Uma visão tática diferente, uma filosofia de trabalho mais adequada à que nossos principais jogadores estão acostumados nas ligas européias, enfim. Seria uma experiência enriquecedora para ambas as partes, creio eu.

Imaginem Cruyff treinando Kaká. José Mourinho orientando o posicionamento de Ronaldinho Gaúcho. Bobby Charlton dando dicas para a nossa zaga... Como seria o relacionamento de Klinsmann com a imprensa brasileira? Seguiria ele morando nos Estados Unidos? E Fábio Capello? Ficaria fã da nossa feijoada?

Muitos técnicos gringos passaram por aqui. José Poy, Darío Pereyra, Daniel Passarela, Filpo Nunes, Roberto Rojas, entre outros. O Flamengo teve um técnico húngaro, se não me engano nos anos 70. O Bragantino teve um treinador croata na década de 90.

O intercâmbio de culturas é salutar em qualquer aspecto da existência humana, incluindo-se aí o esporte. E isso não seria demérito para a mão de obra nacional, não. Dentro de campo essa integração se dá de maneira muito mais democrática e há muito tempo.

São-paulinos idolatram os uruguaios Pedro Rocha e Diego Lugano. O chileno Figueroa é o maior zagueiro da história do Internacional. Nenhum gremista se esquece de Arce e Rivarola, paraguaios de fibra e bom futebol. Os argentinos Doval, Tevez e Mancuso fizeram história e deixaram saudades nos torcedores de Flamengo, Corinthians e Palmeiras, respectivamente.

O colombiano Rincón agradou a palmeirenses, santistas e corinthianos, fato raro! Gamarra, paraguaio de garra e técnica, fez felizes colorados, corinthianos, flamenguistas e palmeirenses. Que torcedor do Fluminense se esquece de Romerito? Petkovic, esse europeu de estilo bem brasileiro também passou por vários clubes e sempre fez sucesso. O hoje corinthiano Acosta era o queridinho dos fanáticos pelo Náutico.

Sim, houve jogadores gringos que não deram certo por aqui.
No São Paulo, os chilenos Sierra e Mendoza fizeram feio. O americano Cobi Jones não disse a que veio no Vasco. O colombiano Lozano não substituiu Rincón à altura no Palmeiras, também frustrado pelo mau futebol do italiano Marco Ósio. Mas esses maus exemplos não invalidam a iniciativa.

As fronteiras estão caindo mais rápido a cada dia e em várias áreas. O futebol está acompanhando essa evolução dentro das quatro linhas. Está na hora de internacionalizar nossos bancos de reservas.


JOSÉ VITOR RACK
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2 comentários:

Meerstempel Badist disse...

Concordo com você acho que essa mistura está acontecendo aos poucos, com os técnicos, ainda é bem devagar, e sobre a seleção é mais complicado ainda por terem questões políticas envolvidas.

mas essa troca de culturas é muita válida de forma geral.

Geoblog disse...

Putz... não consigo esquecer também do Sórin, ídolo da torcida cruzeirense no campeonato brasileiro de 2003.

Argentino raçudo de mais. Honrava a camisa do time. Deixou saudade.

Também queria ver um extrangeiro dirigindo nossa seleção.

Muito bom o blog. Parabéns.


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