segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

O HUMOR DE RHAOUL NETO


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sábado, 16 de fevereiro de 2008

INACREDITÁVEL


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segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

DIVULGANDO EM NOME DA JUSTIÇA

Peco a todos que em solidariedade a essa mae que teve o seu filho covardemente assassinado que divulguem em seus blogs o link com fotos dos fugitivos , que inclusive sao de classe media e covardemente sequestraram o jovem, e mesmo a familia pagando o resgate, depois o assassinaram.
Vamos fazer de nossos blogs tambem um servico comunitario e do lado da justica.
Aqui o perfil do jovem assassinado e sua mae
Abaixo a foto dos criminosos
Possivelmente os fugitivos tambem devem ter orkut. Hoje ainda estarei fazendo a minha parte. Tambem sou uma mae enlutada recentemente e nao posso me calar diante essa injustica. Ajude voce tambem.
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sábado, 9 de fevereiro de 2008

VOVÓ E LEMINSKI

No último dia 22 compareci ao Hospital Beneficência Portuguesa, para visitar minha avó materna. Como toda boa fumante, minha avó, que fuma obsessivamente desde os 11 anos de idade, quase bateu as botas por causa da fumaça que engole com sofreguidão. Após algumas pontes de safena (nem sei ao certo se foram duas ou três) e a retirada de uma parte do pulmão, naquele dia ela já descansava, aguardando o médico dar-lhe alta e já pensando no prazer que sentiria ao fumar seu próximo cigarro.

Além de visitas freqüentes, fiquei imbuído também de passar uma das noites no hospital, pois minha mãe teria que cobrir um evento social que acabaria muito tarde. Muni-me de um livro do Leminski, peguei um táxi e fui para o hospital.

Minha avó me recebeu de braços abertos, nem tanto, pois estava com pontos no peito. Falou sobre a comida sem sal, o homem do quarto ao lado que ronca como uma britadeira e a enfermeira que, segundo a velha, tem piolhos. Depois de assistirmos juntos a novela Duas Caras, como se não bastasse minha avó difamar o hospital inteiro, agora sobrava para o pessoal da novela. Nem a bela Aline Moraes escapou. “Aposto que com esse bocão ela chupa o elenco inteiro”. Minha avó sempre teve um humor ferino.

Desliguei a tevê e preparei a velha pra dormir. Sentei no sofá e puxei da minha mochila o livro do Leminski. Minha avó, atormentada que é, não parava de se mexer. Até o momento em que ela olhou para a capa do livro e exclamou quase gritando:

- Puta que me pariu, você lê Leminski?

Pausa aqui para puxar uma golfada de ar.

- Vó? Eles te deram muitos remédios?

Após comoção, ela me explicou que antigamente tinha o costume de ler e havia comprado alguns livros do autor. “Conheci a obra dele através do livro Catatau, que comprei em 1976”. Perguntou-me do que se tratava o Gozo Fabulo. Falei que é um livro que foi lançado há uns três anos e ela quase o confiscou na hora. Prometi dar-lhe de presente se ela parasse de fumar. Antes de eu mandá-la dormir ela ainda bradou: “E não pense que eu lia pouca coisa não, moleque. Li muito Jorge Amado, Clarice Lispector, Nelson Rodrigues e detestava aqueles troços de Macunaíma do Mário de Andrade”. Depois de quase 25 anos sendo seu neto, essa velha ainda me surpreende.

Thiago Duran Nogueira
thiagoduran@terra.com.br

Thiago Duran Nogueira nasceu em São Paulo em fevereiro de 1983. É dramaturgo, ator e roteirista. Além de trabalhar com jornalismo e produção teatral.
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quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

Aleluia: Roteiristas chegam a acordo pelo fim da greve

Da Redação

A greve dos roteiristas dos Estados Unidos pode estar bem próxima do fim. De acordo com a imprensa internacional, autores e representantes dos estúdios de Hollywood já teriam chegado a um acordo para encerrar a paralisação.O projeto com as propostas aceitas por ambas as partes deve então passar pelo crivo oficial do Writers Guild of América na próxima sexta-feira, dia 8. De acordo com fontes anônimas, isto não será problema, mas algumas divisões internas do sindicato dos escritores podem atrasar o processo. Finalmente, quando tudo estiver devidamente aprovado é que o anúncio público do final da greve e da retomada das produções poderá sair do papel. A greve dos roteiristas norte-americanos começou no dia 5 de novembro do ano passado e, uma semana depois, já havia paralisado todos os talk shows da TV de lá. Foi questão de dias para que os seriados também fossem atingidos. O cinema ainda sentirá melhor seus efeitos durante este ano, já que o cronograma de produção é mais longo.Aos poucos, talk shows e séries foram estabelecendo acordos individuais com seus profissionais, mas são muito poucos os que têm condições financeiras de realizar isso, sem o apoio dos sindicatos.
*
++++++++++++++++++++++++++++++++++++++
dica para os leitores do Rio de Janeiro

SHOW
do
3a1 no Cinemathèque com Dj Mota
local:
Cinemathèque Jam Club
Rua Voluntários da Pátria, 53 - Botafogo Tel.: 2286-5731
data: 12/02 - terça - hora: 20h - abertura da casa com Dj Mota21h - show
ingresso: R$ 15,00 (ou R$ 12,00 na
LISTA AMIGA)
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CHEIRANDO MACONHA E FUMANDO COCAÍNA


Apesar da imagem debochada aí em cima, vou falar sério.


Sou absolutamente a favor da legalização das drogas.

Não estou falando de não mais considerar crime o uso. Sou do time do Jefferson Peres, brilhante senador que deveria ser nosso presidente por uns tempos. Prego a total legalização.

É hipócrita e burra essa visão de que, ao proibir o consumo ou o comércio de alguma substância, estamos zelando pela saúde de nossa população. Ao proteger o viciado em pó, estamos condenando nossas comunidades carentes a serem eternas escravas do tráfico, praga que infesta nossas cidades.

Para cada pessoa que a proibição do comércio de drogas desestimula a usar, morrem dezenas de inocentes. Para salvar alguém, condenamos a população inteira a ficar presa em casa à noite, com medo de bala perdida e da horda de policiais corruptos que te assaltam a cada esquina com propina.

Vale a pena tanta dor? Serve pra alguma coisa tanto sangue derramado, tanta mãe chorando por seus filhos, tantos filhos abandonados à própria sorte depois que o pai foi assassinado por dívidas com traficantes?

O Estado é burro. Sempre foi.

Se fosse mais esperto, legalizaria todas as drogas e cobraria imposto sobre elas. Quem iria se arriscar a subir um morro perigoso se pode comprar seu maço de Marijuana by Philip Morris, com filtro e selo do Ministério da Fazenda? Quem colocaria a cara numa escola de classe média pra oferecer pó, arriscando o couro, se o mesmo produto qualquer um pode adquirir na primeira Droga Raia que encontrar?

O consumo aumentaria? Provavelmente.

Isso é bom para nossos jovens? Não, absolutamente.

E a violência urbana, cairia? Não tenha a menor dúvida. Muita gente que nem bebe nem fuma morre todos os dias por conta dessa maldita guerra do tráfico. Temos que, de uma vez por todas, colocar essa questão na ordem do dia.

Basta de tapar o sol com peneira. Já temos problemas demais para sofrer com um que nós mesmos criamos. O alcoolismo é uma questão muito mais grave e que talvez mate e fira mais que a das drogas, e ninguém faz nada com relação a isso.

Veja o que vivemos hoje com relação ao cigarro. O consumo cai a cada dia. As campanhas do governo e a ação pesada no combate ao abuso estão fazendo o número de fumantes caírem vertiginosamente em nosso país. O mesmo pode se dar com drogas legalizadas e vendidas de modo controlado pelo Estado.

Bato palmas para gente sensata como Fernando Gabeira, Marcílio Moraes, Sérgio Cabral Filho e outros que já cansaram de ilusões. A sociedade perfeita não existe. Temos é que lutar por uma sociedade melhor. E uma sociedade melhor já se vislumbraria na esquina se o tráfico diminuísse de tamanho ou acabasse, dependendo do cenário.

Se é pra proteger alguém, que sejam os inocentes.

JOSÉ VITOR RACK
josevitorrack@gmail.com



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segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008

ELE NÃO É SÓ O CARA MAIS SORTUDO DO MUNDO


Sou um beatlemaníaco fanático.

Doente mesmo. De internar.

E, como dizem os mais maldosos, sou tão louco pelos Beatles que ouço até os discos solo de Ringo Starr. Tanto ouço que, esperando diminuir um pouco o preconceito vigente para com o baterista dos Fab Four, estou colocando aqui para vocês um review muito bacana do último disco dele, Liverpool 8.

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Liverpool fez justiça para Ringo Starr.

E não poderia haver lugar melhor que a 'oitocentona' cidade portuária ao Norte da Inglaterra para dissipar velhas e teimosas dúvidas quanto a relevância da contribuição deste ex-beatle para a música popular do planeta. Tratado como um rei em sua terra natal, onde nasceu pobre e foi morador de casa popular cedida pelo governo, SIR (porque não?) Richard Starkey recebeu todas as reverências possíveis e imagináveis, cabendo-lhe a honraria de dar o pontapé inicial, numa noite fria do dia 11 de janeiro deste 2008, no portentoso evento que abriu as comemorações alusivas à elevação de Liverpool a condição de capital cultural da Europa.


Ringo Starr vestia um cachecol para proteger a garganta. Estava com um gorro de lã, e coberto dos pés a cabeça com agasalhos próprios para o frio. A bordo de um contêiner (!) içado por cabos de aço, sentado a sua bateria Ludwig, brindou o público com um raro 'drum solo'. Isso mesmo! Iluminado por holofotes poderosos, e com a imagem exposta em telões laterais de uns dez metros de altura, foi possível ver e ouvir Ringo Starr - por minutos que pareceram durar mais do que o normal - fazendo 'desenhos' e 'viradas', com suas baquetas - rufando os tambores - daquele seu jeito único, enquanto fogos de artifício multicoloridos espocavam por todos os lados, fazendo o povão delirar.

O evento que ocupou o teto do magistral edifício St. George's Hall, ainda reservaria espaço para um coro de 50 mil vozes a entoar com ele a faixa-título de seu novo CD, Liverpool 8. As pessoas choravam e bradavam - orgulhosas - o nome da própria cidade, a plenos pulmões: “Liverpooool”!!! Ninguém parecia se importar com a chuva fina, nem com o frio cortante, enquanto Ringo Starr e Dave Stewart insuflavam os 'liverpoodlianos' a cantar mais.

E o ex-beatle não parou. No dia seguinte (12.01) comandou a inauguração do espaço Liverpool Echo Arena entoando mais uma vez "Liverpool 8" e também "With a Little Help From my Friends". Foi assim que Liverpool, 'a casa dos Beatles', exibiu-se ao mundo como Capital Cultural da Europa. Com um deles como mestre de cerimônias. A noitada de eventos que durou dois dias ainda surpreenderia mais, com uma inusitada interpretação de Ringo Starr para "Power to the People" (!) com apoio vocal dos demais músicos que participaram dos dois shows.

A escolha não se deu por acaso. 'Power to the People' foi a canção perfeita para celebrar um fato que marca toda a história de Liverpool - trata-se de um município operário, onde muitos trabalham pesado desde a fundação da cidade nos estaleiros quase medievais às margens do Mersey. Acrobatas e músicos vestidos como operários marcaram essa faceta municipal, subindo e descendo de cabos de aço pendurados nos prédios. A demorada obra de reurbanização de Liverpool, que durou vinte anos, também foi lembrada nas exibições dos artistas. Não é demais recordar que saiu dos estaleiros de Liverpool o famoso navio conhecido como RMS Titanic, o inafundável. “Inafundável” provou ser Ringo Starr, vendendo saúde, bom humor e vitalidade aos 67 anos. À distância seu corpo magro parecia com o do 'beatle Ringo' no começo da carreira, na ocasião em que acenou para os fãs da sacada do prédio da prefeitura da cidade, em 1963, acompanhado dos companheiros, John, Paul e George. Não poderia deixar de mencionar a participação histórica do ex-beatle durante os dias 11 e 12 de janeiro em Liverpool para ilustrar a introdução do review do seu novo álbum. Liverpool 8. Vamos a ele.

LIVERPOOL 8 - The Album


A crítica internacional aponta que Ringo Starr seria um dos poucos artistas de sua idade a produzir álbuns pop. Mas o que é exatamente este novo disco? É uma produção que você ouve e, logo no final da primeira audição tem a sensação de já tê-lo escutado antes. Não é mera impressão. O maior pecado de Liverpool 8 está na insistência em repetir a mesma fórmula. Seu som, arranjos e 'pegada' soam familiares porque fazem parte de uma 'quadrilogia' iniciada com Vertical Man (1997); passa por Ringo Rama (2003 - o melhor dos quatro); e Choose Love (2005). Liverpool 8 bebe na mesma fonte - e isso tem muito a ver com o guitarrista, produtor e arranjador Mark Hudson, amigo pessoal de Ringo e partícipe de todos os seus últimos discos.

A produção de Liverpool 8, iniciada em 2007, teve problemas. Bom lembrar que o disco foi prometido para o final da primeira metade do ano passado e acabou não saindo. Por quê? Em parte porque Ringo e Mark se desentenderam, ao ponto do ex-beatle 'demitir' Hudson e a banda The Roundheads. A informação chegou a 'vazar' mas poucos deram importância a ela. Com a produção interrompida, Ringo dedicou-se a outras questões, como a 'digitalização' de sua discografia na EMI e a negociação com o i-Tunes para disponibilizar os álbuns para download pago. Em paralelo produziu um CD (Photograph: The Very Best of Ringo Starr) para marcar essa nova fase - que culminou com o retorno à gravadora EMI.

Retomar Liverpool 8 tornou-se possível pela insistência de um 'mediador', Dave Stewart (Eurythmics), e o futuro álbum ganhou uma nova concepção com vistas ao evento do começo de 2.008 em sua cidade natal, na qual Ringo Starr atuaria como anfitrião. Os mais inventivos momentos de Liverpool 8 estão justamente onde se consegue detectar a presença de Stewart como produtor, arranjador e compositor. Os mais repetitivos tem a inconfundível pegada de Mark Hudson e os Roundheads, readmitidos para tocar o trabalho - em parceria com Dave - até o final.

Liverpool 8 tem vários significados. A expressão indica a área regional da cidade onde Ringo residiu. Mas também é o título do mega evento que marca o ingresso da cidade como Capital Européia da Cultura. E ainda é a canção que 'puxa' e batiza o disco. O clima do álbum em geral é de pura nostalgia, com bons momentos representados por algumas canções inspiradas, e outras nem tanto. No comparativo com Vertical Man; Ringorama; e Choose Love, Liverpool 8 é o pior dos quatro. Ou o mais fraco, por assim dizer. Mas é uma produção agradável de ouvir. A receptividade do álbum na mídia mundial me parece muito boa. Não são poucos os 'reviews' no geral positivos, publicados em mídias importantes como Time, Uncut, The Guardian, Mojo Magazine entre outras. Para nós o grande regozijo é ter Ringo Starr ativo aos 67 anos de idade, produzindo, compondo, gravando, viajando para divulgar um novo produto musical. Queremos mais. E teremos. Ele justificou em Liverpool que não poderá tocar com Paul McCartney em junho, porque naquele mês estará em turnê pela América.
É aguardar...

LIVERPOOL 8 - FAIXA A FAIXA
'I Was a Sailor First'


LIVERPOOL 8: Canção datada, co-escrita por Ringo e Dave, cuja proposta aparente foi tornar-se uma nova 'Never Without You'. O refrão é pegajoso, e a letra autobiográfica. Destaque para o arranjo inventivo, que inclui violino e uma excelente base de guitarra. Cumpriu com louvor a missão de tornar-se hino da cidade dos Beatles conforme ocorreu nos dias 11 e 12 de janeiro passado. Com o passar dos anos, não duvido que essa música substitua 'You'll Never Walk Alone' no coração dos 'liverpoodlianos' e, quem sabe, do grande time de futebol local.

THINK ABOUT YOU: Este rock com levada meio blues é um dos melhores momentos do disco, mas sua sonoridade é puro Mark Hudson. Lembra um pouco a levada de “The Turnaround” (Choose Love); e outras tantas composições dos discos feitos com The Roundheads.

FOR LOVE: Primeira balada do álbum, também seguindo a inconfundível sonoridade de canções de discos anteriores, sobretudo Choose Love. Destaque para as guitarras de Dave Stewart e Steve Dudas (Roundheads).

NOW THAT SHE'S GONE AWAY: A percussiva introdução dessa faixa, com Ringo nos tom-tons, remete de imediato a introdução de Back of Boogaloo. Sonoridade à la Dave Stewart. Belo trabalho de bateria, com aquela 'pegada' única de Ringo Starr.

GONE ARE THE DAYS: Sua introdução psicodélica me parece um pouco longa (01min 23 seg). Trechos da letra citam a frase, 'it don't come easy'. Há um belo trabalho de 'backing vocal' de Dave Stewart e distinta guitarra base. O fade out também ocorre com sons psicodélicos semelhantes à era Revolver.

GIVE IT A TRY: Um rock ballad com bom arranjo bem no clima dos Roundheads. Esta faixa foi uma das primeiras produções compostas e gravadas para o novo disco. Fosse noutros tempos, era uma boa canção para tocar no rádio. Só que Ringo se queixa há anos que as rádios o esqueceram...

TUFF LOVE: Mais uma canção romântica, cujo arranjo inclui uma vigorosa bateria de Ringo Starr. A sonoridade em geral lembra muito algumas faixas do Ringo Rama, Vertical Man e Choose Love. Gosto particularmente dos vocais de Ringo aqui.

HARRY'S SONG: Ringo homenageia seu grande amigo Harry Nilsson com uma grande canção, onde resgata nos arranjos um pouco dos timbres e levadas dos primeiros discos de Nilsson. O arranjo por sinal é num formato bem retrô, com o som percussivo do baixo (acústico) e bateria 'das antigas'. E muito agradável de ouvir. O final psicodélico inclui fitas tocando ao contrário, sons estranhos, eco e outros efeitos. Forte participação de Dave Stewart na produção.

PASODOBLES: Ringo retoma um acento de latinidade nesta música de levada espanhola, com violões e percussão que poderiam ser adicionados às antigas trilhas sonoras dos 'westerns spagetti'. Ringo já gravara canções dessa natureza antes, como é o caso de "Las Brisas", do álbum Rotogravure. A entonação do ex-beatle ao cantar, “the pasodobles” é engraçada, irônica, e certamente arrancaria risos de John Lennon.

IF IT'S LOVE THAT YOU WANT: Essa tem cara de 'B' side dos discos Ringo Rama e Choose Love. É a menos inspirada do disco. Há um bom solo de guitarra de Steve Dudas.

LOVE IS: A grande composição do CD. Sua levada romântica é beneficiada pela interpretação emocional de Ringo. A delicada introdução privilegiando a voz e o arranjo de guitarra se completa com perfeição no momento quase solene da entrada do baixo e da bateria. 'Love Is' tem um clima de "King of Broken Hearts" (Vertical Man) e "Imagine me There" (Ringo Rama), o que não deslustra a beleza de sua melodia. Harpas, oboés e outros instrumentos emprestam classe a composição.

R U Ready: Aqui temos uma brincadeira dos músicos que participaram das sessões, puxada por Dave Stewart. Não pense que seu equipamento de áudio está com problemas. A faixa de levada country é propositalmente adicionada ao disco com um som semelhante ao de um rádio de pilhas. Na realidade é uma gravação demo na quase totalidade. A outra surpresa é que o lead vocal é de Stewart, e não de Ringo. Essa faixa , digamos assim é a “Free Drinks” (Choose Love) do Liverpool 8, embora um pouco melhor.

Liverpool 8 (USB wristband)
O Disco que Você Vai Comprar Duas Vezes


Se você é um colecionador como eu, terá de comprar Liverpool 8 duas vezes. A versão 'normal', em formato de CD de 12 faixas para ouvir no som de casa ou do carro, e a 'edição limitada' - uma 'pen drive' em formato de bracelete, cor branca com a inscrição LIVERPOOL 8 - RINGO STARR. O produto pode ser saudado como o 'créme de la créme' da modernidade. Além da opção de circular com um adereço de Ringo Starr no pulso (vai depender do gosto de cada um) você poderá conectar a 'pen drive' em forma de bracelete no seu computador através da entrada USB. Nessa condição encontrará o dobro da informação contida no CD.

A pen drive (reutilizável segundo sua embalagem) inclui o álbum Liverpool 8 completo, uma mensagem pessoal em vídeo e uma entrevista com imagens das sessões de gravação. O pacote também inclui comentários faixa a faixa do ex-beatle para as novas composições. Disponíveis também 'ringtones' para diversificar os toques de seu celular. E fotografias. É provável que Ringo Starr seja o primeiro artista do mundo a usar esse tipo de mídia para comercializar música oficialmente. No site amazon.com somente ele possui um disco disponível nesse formato.

Poderiam ter incluído o belo clipe de Liverpool 8 estrelado por Ringo e Dave Stewart na 'pen drive', mas isso foi 'esquecido'. Não duvidarei se, em futuro próximo, uma nova edição do disco vier a ser lançada com um DVD bônus, faixas bônus e a inclusão do promo vídeo. Isso nos obrigaria a comprar o mesmo produto pela terceira vez. O lançamento de Liverpool 8 se completa com massivo trabalho de divulgação no mundo inteiro, nas lojas e nos sites de vendas. E não esqueça: você ainda pode fazer um 'download' oficial (pago, claro) do CD inteiro no i-Tunes. E viva os tempos modernos.


















Eles chegaram, puxados por Ringo Starr!


CLAUDIO TERAN

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domingo, 3 de fevereiro de 2008

A POESIA DE VINÍCIUS DE MORAES

Soneto da separação

De repente do riso fez-se o pranto
Silencioso e branco como a bruma
E das bocas unidas fez-se a espuma
E das mãos espalmadas fez-se o espanto.

De repente da calma fez-se o vento
Que dos olhos desfez a última chama
E da paixão fez-se o pressentimento
E do momento imóvel fez-se o drama.

De repente, não mais que de repente
Fez-se de triste o que se fez amante
E de sozinho o que se fez contente.
Fez-se do amigo próximo o distante
Fez-se da vida uma aventura errante

De repente, não mais que de repente.

**************

Poema enjoadinho

Filhos . . .
Filhos?
Melhor não tê-los!
Mas se não os temos
Como sabê-lo?
Se não os temos
Que de consulta
Quanto silêncio
Como os queremos!
Banho de mar
Diz que é um porrete . . .
Cônjuge voa
Transpõe o espaço
Engole água
Fica salgada
Se iodifica
Depois, que boa
Que morenaço
Que a esposa fica!
Resultado: filho.
E então começa
A aporrinhação:
Cocô está branco
Cocô está preto
Bebe amoníaco
Comeu botão.
Filhos?
Filhos
Melhor não tê-los
Noites de insônia
Cãs prematuras
Prantos convulsos
Meu Deus, salvai-o!
Filhos são o demo
Melhor não tê-los . . .
Mas se não os temos
Como sabê-los?
Como saber
Que macieza
Nos seus cabelos
Que cheiro morno
Na sua carne
Que gosto doce
Na sua boca!
Chupam gilete
Bebem xampu
Ateiam fogo
No quarteirão
Porém que coisa
Que coisa louca
Que coisa linda
Que os filhos são!

************************

Balada do enterrado vivo

Na mais medonha das trevas
Acabei de despertar
Soterrado sob um túmulo.
De nada chego a lembrar
Sinto meu corpo pesar
Como se fosse de chumbo.
Não posso me levantar
Debalde tentei clamar
Aos habitantes do mundo.
Tenho um minuto de vida
Em breve estará perdida
Quando eu quiser respirar.
Meu caixão me prende os braços.
Enorme, a tampa fechada
Roça-me quase a cabeça.
Se ao menos a escuridão
Não estivesse tão espessa!
Se eu conseguisse fincar
Os joelhos nessa tampa
E os sete palmos de terra
Do fundo à campa rasgar!
Se um som eu chegasse a ouvir
No oco deste caixão
Que não fosse esse soturno
Bater do meu coração!
Se eu conseguisse esticar
Os braços num repelão
Inda rasgassem-me a carne
Os ossos que restarão!
Se eu pudesse me virar
As omoplatas romper
Na fúria de uma evasão
Ou se eu pudesse sorrir
Ou de ódio me estrangular
E de outra morte morrer!

Mas só me resta esperar
Suster a respiração
Sentindo o sangue subir-me
Como a lava de um vulcão
Enquanto a terra me esmaga
O caixão me oprime os membros
A gravata me asfixia
E um lenço me cerra os dentes!
Não há como me mover
E este lenço desatar
Não há como desmanchar
O laço que os pés me prende!
Bate, bate, mão aflita
No fundo deste caixão
Marca a angústia dos segundos
Que sem ar se extinguirão!
Lutai, pés espavoridos
Presos num nó de cordão
Que acima, os homens passando
Não ouvem vossa aflição!
Raspa, cara enlouquecida
Contra a lenha da prisão
Pesando sobre teus olhos
Há sete palmos de chão!
Corre mente desvairada
Sem consolo e sem perdão
Que nem a prece te ocorre
À louca imaginação!
Busca o ar que se te finda
Na caverna do pulmão
O pouco que tens ainda
Te há de erguer na convulsão
Que romperá teu sepulcro
E os sete palmos de chão:
Não te restassem por cima
Setecentos de amplidão!


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