segunda-feira, 21 de abril de 2008

O mais novo "Quem matou?" do Brasil!



A história é a morte misteriosa de uma pessoa numa noite de sábado. Não se trata de um "Quem matou Odete Roitman?" ou "Quem matou Lineu Vasconcelos?". Eles tem nomes pomposos, mas não são Bruno Baldaracci, Luana Camará, Yolanda Pratini ou Marconi Ferraço. A trama está todos os dias na televisão, mas não é novela das seis, das sete ou das oito. Pudera, a trama é exibida de seis da manhã até as duas horas da madrugada em todos os canais de TV. Os capítulos passam e a cada reviravolta, o Brasil fica estático em frente á TV e os jornais com o propósito de saber: Quem matou Isabella Nardoni?



Definitivamente não se trata de mais uma novela de televisão. É a vida real. Nua e crua aos olhos de quem quiser ver.

Uma criança de 5 anos é estrangulada e jogada do alto de um prédio de 6 andares. Os principais acusados: o pai, Alexandre Nardoni e a madrasta, Anna Carolina Jatobá (nomes á la Janete Clair, pois não!). A mídia começa a explorar o caso timidamente. Os lances misteriosos vão aumentando dia-a-dia como se fossem capítulos de uma novela e a mídia se alimenta do caso. Revistas, jornais com manchetes em letras garrafais, programas de TV, rádio e internet...todos exploram a história. Novos indícios são encontrados. Os possíveis assassinos são presos. Os advogados movem os céus e a terra.

Eles são libertados. Conseqüentemente, os atores principais se tornam celebridades escoltadas, astros de fazer inveja á Tarcisio Meira e Glória Menezes, com grande diferença, é claro. Todo mundo quer ver o casal e descobrir se eles são os assassinos da garotinha. Eles relutam em afirmar que não mataram. Afirmam que havia uma pessoa misteriosa no local. Pistas são descobertas. O pedreiro, o padeiro e o florista... todos viram suspeitos. Na porta de suas casas e da delegacia, um espetáculo acontece ao vivo. Vendedores ambulantes fazem a festa com balas, cachorro-quente, algodão doce e até cerveja. Até a dona maria do salão lucra uma graninha alugando a sacada de sua casa que cai aos pedaços. Tudo isso só para descobrir o mais novo "Quem matou?" do Brasil.

A espetacularização da mídia sobre o caso Isabella Nardoni, nos leva á crer que a teledramaturgia é fichinha perto da vida real. Nos faz analisar o seu verdadeiro papel diante de casos como este. Ninguém duvide que apostas estejam sendo feitas em bolões e rifas. O publico gosta disso e então dê pão e circo.

Confesso que a fantasia das novelas e filmes é bem melhor que essa dura realidade. Por isso, fico mesmo com o Quem matou Odete Roitiman, Salomão Hayala e Thais Grimaldi. Me recuso á ver esse clichê copiado da TV para a vida real. Me recuso á querer descobrir quem matou uma inocente criança de apenas 5 anos.

Ave Janete! Ave Giberto!! Ave a nossa teledramaturgia!

Salve as nossas criancinhas!!

POR WESLEY VIEIRA

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domingo, 6 de abril de 2008

DEUS AJUDE OS AMANTES DO FUTEBOL

Rodada decisiva do Campeonato Paulista, meu São Paulo disputando uma vaga entre os quatro. O Rio Preto brigando pra não cair. Tenho de torcer, é time da cidade...

Mas não. Estou no computador escrevendo essa crônica, ouvindo Beatles e chupando mexerica. É um fenômeno interessante que eu sinto que está acontecendo com milhões de amantes do futebol: o abandono lento e gradual das transmissões ao vivo.

Continuo tão fanático pelo esporte quanto antes, mas as transmissões ao vivo têm me deprimido um pouco. Os mesmos narradores de quando eu tinha cinco anos de idade, comentaristas burocráticos como chefes de repartição pública, jogadores que não lembram em nada a glória de um país pentacampeão...

Geralmente me divirto mais com as mesas redondas, seja no rádio ou na TV. Ali reside o verdadeiro espírito do fanático por futebol. A transmissão ao vivo fica muito pomposa, muito óbvia. Narrar algo que eu estou vendo me soa redundante demais, passè demais, muito last season pro meu gosto.

Passa pra fulano, olha a cobertura, toca no costado da zaga... Me irrito.

Antes não me irritava. Assistia até o Desafio ao Galo, na Record. Tenho gravados em vídeo cassete os jogos do Brasil na Copa de 82, na Espanha. O Luciano do Valle completamente inspirado, parecia tomado pelo exu tranca-rua a cada gol canarinho.


Que gogó! O gol do Falcão contra a Itália e o do Éder Aleixo contra a Escócia são meus preferidos, tanto plasticamente quanto na narração dele. A Globo naquela época tinha menos grana, mas era mais humana. A narração do Luciano era muito gente, muito povão.

- GOOOOOOOOOOOOOOOOL de gênio, de gênio, de gênio, do Éder...


Esse grito ecoa dentro de mim até hoje, como um sagrado mantra tibetano. Portanto, toda vez que me sento em frente à TV para ver um jogo transmitido desse jeito modorrento dos anos 2000, esse mantra me chama pra frente do computador, pra um bom livro, pra acompanhar os resultados pelo rádio, na genial mesa redonda da Jovem Pan das duas da manhã...

Deus ajude os amantes do futebol a mudar as transmissões de nossa paixão pela TV. Ou dê dinheiro a todos para poderem ir ao estádio ver todos os jogos, que é muito mais bacana...


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quarta-feira, 2 de abril de 2008

ENTRE A GLÓRIA E A MAIONESE HELLMANN'S


Tempos atrás eu li um artigo interessantíssimo na Folha que mostrava uma biblioteca inusitada. Tinha que ser nos Estados Unidos, aquele país que de tão inusitado nem nome tem (ou você considera Estados Unidos da América um nome que se apresente?).

Um tal de Todd criou a biblioteca dos rejeitados. Se um Zé Ninguém de um condado distante decide escrever um livro, manda para as editoras e ninguém dá a mínima, é só mandar para essa biblioteca que tudo fica arquivado bonitinho, como se o tal livro fosse um legítimo best-seller.

Quer dizer, a forma de arquivar é um pouco alternativa...

Os livros ficam dispostos entre vidros de maionese Hellmann’s. Todos vencidos, claro. Quem quiser conferir e tiver grana para a passagem, que vá até a biblioteca pública de San Francisco e boa viagem no mundo dos autores sem senso do ridículo.

Quer dizer, nem todo livro rejeitado pelas editoras é ruim...

Mas tem gente que realmente não tem noção de absolutamente nada do mercado editorial e quer ser publicado. Aí não rola...

Por exemplo, um tiozinho muito louco que defende a inexistência do universo. Sim, isso mesmo. Segundo a tese dele, o universo não existe. No dia em que uma das pirâmides do Egito receber a luz do sol de um determinado ângulo, será dada a largada para o Big Bang, e aí tudo terá início. Ou seja, estamos no prólogo do tempo. E o começo de tudo será o nosso terrível epílogo...

Que meda!

Outro americano lesado acredita que o dinheiro é uma instituição falida. O quente será utilizarmos areia como moeda de troca. Se isso for levado ao pé da letra, Natal será a cidade mais rica do Brasil com tantas dunas. E o deserto do Saara será a nova sede do FMI.

Não estamos na América (do norte) e não temos nada a ver com isso. Mas fica o exemplo para quem gostaria de se tornar escritor e publicar livros. Estude o mercado, escreva algo realmente pertinente para seu público e original, que chame a atenção.

Tenha cuidado. Pesquise, pergunte, tire suas dúvidas com livreiros, editores, críticos... A Internet está aí pra isso mesmo, é uma ferramenta interessantíssima de experimentação. Aprenda com os erros dos outros, seja sábio.

Seu livro está entre a glória e dois vidros fechados de maionese Hellmann’s. O destino final dele só depende de você.


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